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ÍDOLOS DE BARRO

Centésima participação nesta passarela que me foi estendida para fazer desfilar personagens
sacados da vida real e lançados ao mundo como celebridades de um reality show que a
televisão brasileira não cansa de produzir. Mas não quero levantar o ibope de um programa
tão desnecessário e, menos ainda, fazer uma exposição negativa de quem quer que seja.
Falei dos mais diferentes tipos humanos (ou desumanos, muitas vezes); dos imprevisíveis e
curiosos animais (humaninhos), dos lugares nos quais morei ou onde tive experiências
especiais, inusitadas, tantas vezes, comuns a todo ser humano, ou não. Algumas coisas
foram recorrentes, tais como família, amigos, amor, esperança e Deus. Recebi retornos
muito interessantes de leitores nas redes sociais e no próprio portal (sensusnoticias.com.br),
comentando e elogiando as publicações. Nomes de artistas e de esportistas desfilaram por
aqui como citações para reforçar alguma ação ou ideia. No entanto, devo dizer que tive a
satisfação de cruzar o caminho de algumas figuras ímpares do mundo do entretenimento,
desportivo e artístico.

Em setembro de 1979, eu comecei a trabalhar no SERPRO (Serviço Federal de
Processamento de Dados, braço tecnológico da Receita Federal do Brasil e outros órgãos do
governo brasileiro, desligando-me em 1981. Passei pelo “arquivo”, em que eram guardadas
todas declarações de imposto de renda entregues em São Paulo; dona Vitória dominava
aquele setor e com ela aprendi muito. Depois de algum tempo fui transferido para o terceiro
andar, gabinete do doutor Fernando; ali aprendi a despachar documentos para as mais
diversas finalidades, podendo criar, um ano depois, um setor que adiantava o lado de quem
precisava viajar ao exterior e havia perdido o recibo de entrega, fornecendo rapidamente
uma cópia da declaração. Foi quando conheci o Dario Pereyra, jogador uruguaio, então
zagueiro do São Paulo e o ajudei com uma cópia da última Declaração de IRRF.

No mesmo período citado no parágrafo anterior, influenciado pelo Washington, um colega
nas artes plásticas e na literatura, dos porões da Florência de Abreu, onde ficava o arquivo
da Receita Federal, desenvolvi o interesse pelo teatro. Uma colega do quarto andar do
Ministério da Fazenda, na Avenida Prestes Maia, convidou-me para sair no sábado que se
avizinhava; eu topei desde que iniciássemos o passeio pelo teatro, ali perto, pois eu tinha
ingressos para uma peça de Plínio Marcos; ela topou. No horário combinado eu a apanhei
em casa e partimos para a noite de cultura e entretenimento. A peça em cartaz era
“Barrela”. Assistimos com atenção e o público aplaudiu com entusiasmo o espetáculo.
Quando a cortina se abriu como de praxe, mais uma vez, para que ovacionássemos a trupe,
eis que surge à frente o conhecido autor, que agradeceu a presença de todos e disse estar ali
para responder a quem quisesse perguntar-lhe algo. Olhei em volta e não percebi
manifestação alguma em relação à proposta de Plínio; então, levantei-me e mandei: “Plínio,
já assisti a duas outras peças suas e, nem nelas nem na de hoje, eu percebi você apontar
uma saída para tantas questões levantadas”. Ele respondeu: “Ao artista não cabe apontar
soluções; ele tem que questionar”. Achei que não parecemos simpáticos um ao outro: ele
retornou às coxias e eu saí para fazer a noite ser feliz.

Através de uma outra colega do Ministério da Fazenda, conheci dois cantores das tardes de
sábado do programa do maestro Zaccaro, da Bandeirantes, os irmãos Marco Antônio e
Roberto, que me fizeram cantar numa cantina italiana, no bairro do Paraíso, durante um
jantar da família deles e me fez tremer nas bases, mas, no final tudo deu certo. Um amigo
me apresentou ao Patrick Dimon, cantor da Jovem Guarda, que escolheu o Brasil para viver
de música; cantava em oito idiomas; faleceu no ano passado aos 79 anos.

Entre um ensaio e outro, preparando cânticos de adoração a Deus, em uma igreja lá na Rua
Pedroso, em São Paulo, numa pausa para comer e beber alguma coisa fui até a lanchonete
do outro lado; assim que entrei, logo percebi, discretamente, num cantinho do balcão, os
tricampeões mundiais de futebol Edu, do Santos, e Dadá Maravilha, que foram muito
simpáticos com a nossa tietagem. Igualmente simpática foi Janeth Arcain, jogadora de
basquete da Seleção Brasileira, fazendo compras na Cooperativa da Rhodia de Santo André,
soltou seu carrinho e abraçou a mim e a minha esposa. Encontramo-nos no Soho, Marina de
Salvador, com Tuca Andrade, ator importante no cenário nacional e ele foi todo sorrisos e
cordialidade.

Foi muito bom conhecer Du Barreto numa viagem de Nápoles a Roma; ele foi um dos
grandes responsáveis por transformar Brotas em uma estância turística. Tornamos a nos
encontrar em São Paulo para falar de projetos ambientais. Tive a honra de encontrar-me
com a Secretária de Educação dos Estado de São Paulo, Maria Lúcia Vasconcelos, quando fui
selecionado para o curso de férias em Salamanca, pelo Santander; o júbilo por esse
congraçamento se deveu acima de tudo por ela ter sido minha professora e diretora no
Curso de Pedagogia no Mackenzie.

Por certo que esses ídolos citados no texto foram feitos do pó como eu e você, mas
merecem toda e qualquer honraria pelo legado que deixam. Com todas as pessoas com
quais cruzamos a existência aprendemos o que precisávamos para seguir adiante; mas,
pessoalmente, as melhores impressões que recebi e que ficarão marcadas para sempre em
mim, foram as de minha família, as dos meus queridos amigos e as do Deus sem rótulos
religiosos a quem sirvo.

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